Ingressou na faculdade em 1987, e no mesmo ano, para pagar a faculdade, começou a trabalhar na papelaria de sua irmã mais velha Marilisa e seu cunhado, Anízio. Dedicada e empreendedora, passado algum tempo, sua irmã a convidou para ser sócia da empresa. Rosemay aceitou prontamente e se dedica ao sucesso dos negócios da Papelaria Dalba. Sem esquecer da carreira literária, sua maior paixão. "As minhas maiores limitações são de coordenação motora fina - escrever manualmente, descascar frutas, dirigir veículos. É difícil também subir e descer escadas sem apoiar no corrimão. Fora isso, ando, saio, trabalho... Tudo normal! Mas no meu ritmo, que é mais lento. Costumo brincar que a maioria das pessoas vai no ritmo da águia e eu vou no ritmo da tartaruguinha... Mas sempre chego lá!", resume com bom humor.
O que mais gosta de fazer? E o que menos gosta?
Sou católica. Gosto muito de participar do movimento da Renovação Carismática Católica, cantando, dançando e louvando a Deus. Participo de retiros, ativamente do grupo de jovens Água Viva e sou serva no ministério de Intercessão e de Acolhimento. Além desta parte espiritual, gosto muito de conversar com as pessoas e enxergar a sua essência, ajudar as pessoas, naquilo que for do meu alcance e sair com amigos. Gosto de ler, escrever e viajar. E das minhas aulas de pinturas e de navegar pela Internet. Não gosto de pessoas falsas, dissimuladas e preconceituosas. Não gosto de fofocas e intrigas.
Seus estudos foram sempre em escolas regulares?
Quando eu morava em Francisco Beltrão, onde nasci, freqüentei do pré a oitava série em um colégio particular de freiras, o Colégio Nossa Senhora da Glória.O segundo grau, cursei em outro colégio particular que se chamava Madre Teresa. Já em Pato Branco, iniciei a minha faculdade de Letras em 1987, na Funesp, que é particular também, mas como eu já trabalhava, eu mesma consegui pagá-la.
Por que escolheu Letras?
Desde criança, lembro que eu deixava de ir brincar de boneca com minhas amigas e preferia ficar lendo. Me perdia no mundo dos livros, fazia muitas viagens imaginárias. Lia em torno de seis a oito livros por mês! Vivia em bibliotecas, bancas e livrarias comprando livros e revistas. Sempre ganhava um dinheirinho do meu irmão Alcimar (ele trabalhava em outra cidade e vinha visitar os nossos pais nos finais de semana) e na segunda feira, lá ia eu comprar livros e revistas para ler! No segundo grau, quando fizemos testes vocacionais, o meu deu como resultado aptidões para autora, escritora e redatora.Foi a partir daí que resolvi fazer Letras. Sempre quis me tornar uma escritora.
Já sofreu algum tipo de preconceito?
Muitos!! A minha infância foi marcada por muitas vivências e situações de preconceitos. Principalmente na vida escolar. Alguns professores, além de serem preconceituosos, não sabiam lidar com o diferente e não tinham paciência. Os colegas também discriminavam...não queriam fazer trabalhos ou apresentações comigo. Na vida social, quando criança tive algumas amigas maravilhosas, que eram minha vizinhas e me ajudavam nas tarefas, a escrever, atravessar as ruas... Elas saíam comigo. Hoje quatro dessas amigas de infância, moram em Curitiba e uma delas continua morando em Francisco Beltrão. Hoje, já adulta, aqui em Pato Branco, diminuiu muito o preconceito principalmente das pessoas que me conhecem do comércio e da Igreja. Mas é claro, que sempre existem pessoas preconceituosas por natureza. Elas têm preconceito contra tudo: o moreno, o gordinho, o pobre, o careca...
Quando começou a escrever? Pretende publicar outros livros?
Tudo começou em 1996, quando iniciei a minha caminhada na Renovação Carismática Católica. No ano de 1998, em setembro, vivi uma experiência muito profunda de oração com Nossa Senhora na qual Ela me deu a seguinte mensagem: "Minha filha, cumpra a vontade do meu Filho e escreva este livro. Sua vida vai mudar." A partir daquele dia, iniciou-se a concepção desta obra. Afinal, para que estamos neste mundo, senão para glorificar a Deus e cumprir sua vontade para a nossa vida? Foi para isso que nascemos! Quando ainda estávamos no ventre de nossa mãe, Ele nos chamava pelo nome e tinha um plano para cada um de nós. Apesar de eu ser uma pessoa com necessidades especiais, Deus me mostra que a vida deve ser desfrutada como um belo espetáculo, o qual só pode ser apreciado por aqueles que sabem olhar para si mesmos e, com isso, tornar-se agentes modificadores da própria história. Essa obra é um trabalho de oito anos. Levei cinco anos para escrever, um ano para a parte de organização, na qual contei com a ajuda de minha irmã Marilisa e de minha sobrinha Sílvia, e o prefácio foi feito por Frei João Bosco , ofm (Ordem Franciscana Menor). E mais dois anos na Editora Paulinas. E sim, eu pretendo escrever outras obras.
E a pintura? Começou como atividade terapêutica?
Na verdade resolvi pintar porque gosto de inovar, fazer coisas diferentes. As minhas pinturas são todas bem coloridas, com cores vibrantes e alegres. Adoro pintar flores!
Qual sua atuação na papelaria?
Quando vim morar em Pato Branco para fazer a faculdade já comecei a trabalhar com minha irmã e meu cunhado. Na época eu ainda não era sócia.Sempre trabalhei como caixa e supervisora da área de atendimento. Ajudo também minha irmã Marilisa nas viagens de compras. Gosto muito do que faço. Estar em contato com os clientes, ouvir suas necessidades, acompanhar as tendências do mercado sempre buscando inovações e novidades.
Você se considera independente?
Em muitas coisas, atividades diárias, tenho minha independência. Em outras, preciso de ajuda. Geralmente conto com a colaboração da minha mãe Madalena, com quem moro junto com meu pai.
O que considera que falta para as pessoas com deficiência serem incluídas na sociedade?
De um lado, falta a própria pessoa lutar pelos seus direitos, construir a sua história e não ficar à margem como mero expectador da sua vida. De outro lado, falta uma maior conscientização das pessoas de modo geral sobre como lidar com as pessoas com algum tipo de deficiência. Perceber que a pessoa tem uma deficiência e não é toda uma deficiência, pelo contrário, tem capacidades, dons, talentos, como qualquer outra pessoa. Na parte social, os empresários precisam abrir espaços e criar possibilidades de empregos. Um bom exemplo é a Editora Paulinas que acreditou no meu trabalho e no meu potencial. O apoio da família é fundamental. Aproveito para agradecer a Deus pela minha maravilhosa família: meu pai Alcides, minha mãe Madalena, meus irmãos Alcimar e Marilisa, meus cunhados Suzana e Anízio e meus três sobrinhos Augusto, Sílvia e Camila. Acho que hoje temos mais respeito da sociedade. Mas há muito o que ser feito, principalmente quanto à acessibilidade de lugares públicos e transportes.
E nos momentos de lazer, o que faz?
Gosto de sair com amigas(os), ficar na Internet, ler e principalmente adoro viajar!!
Qual seu maior sonho?
Que esta obra Uma mensagem por dia, o ano todo, seja traduzida para vários idiomas. Quero estar com o livro na Feira de Frankfurt, na Alemanha. E também desejo continuar a escrever e publicar outras obras. Sempre evangelizando pela escrita. E quero encontrar o grande amor da minha vida! Constituir uma família. E viajar mais, muito mais. Conhecer outros países e culturas diferentes.
Uma mensagem para os brasileiros:
Superar as limitações,as dificuldades, os medos e as incertezas é essencial a quem deseja acreditar em Deus e em si mesmo. O que parece impossível ao ser humano é perfeitamente possível ao Senhor. Mesmo que tenha limitações físicas, intelectuais, sociais ou culturais, tenha fé e esperança no Criador.
Lembre-se de que você pode tudo!
SOZINHO, VOCË NADA PODE FAZER.COM DEUS, TUDO É POSSÍVEL. (Trecho do livro Uma mensagem por dia,o ano todo)